Por que professores evitavam o sistema? Pesquisa etnográfica em escolas públicas | Livia Gabos

Por que professores evitavam o sistema? Pesquisa etnográfica em escolas públicas

Resumo do case

Problema

Entender por que professores e equipes administrativas tinham dificuldades e apresentavam baixa adesão a um sistema de gestão acadêmica.

Meu papel

UX Researcher responsável pela pesquisa de ponta a ponta: definição da abordagem, planejamento, trabalho de campo, análise, recomendações e wireframes.

O que fiz

Realizei uma pesquisa etnográfica em três escolas públicas do Rio de Janeiro, envolvendo 12 professores, 2 diretoras e 2 secretárias.

Impacto e decisões

  • Identifiquei quatro categorias de barreiras relacionadas à adoção.
  • Produzi 19 recomendações: 5 ajustes de interface e 14 propostas de reestruturação.
  • Apresentei os achados e wireframes ao gerente do projeto e à gestão de Desenvolvimento.

1. Contexto, problema e papel

A MStech desenvolvia um sistema de gestão acadêmica para escolas públicas. A plataforma atendia processos administrativos e auxiliava professores no planejamento de aulas, registro de faltas e controle de conteúdo.

Após reclamações sobre dificuldades de uso e baixa adesão, o gerente do projeto solicitou uma investigação. Como testes tradicionais de usabilidade e acessibilidade não explicavam o comportamento, propus uma pesquisa etnográfica para compreender como a interface e o contexto das escolas influenciavam o uso.

Fui responsável pelo planejamento, trabalho de campo, análise, apresentação dos resultados e criação de wireframes.

2. Pesquisa e descobertas

Conduzi entrevistas semiestruturadas e observações com 16 participantes em três escolas: 12 professores, 2 diretoras e 2 secretárias.

A pesquisa mostrou que a baixa adesão não era causada apenas pela interface, mas pela combinação de quatro fatores:

  • Contexto tecnológico: o sistema não estava otimizado para os netbooks de 8 ou 10 polegadas utilizados pelos professores.
  • Curva de aprendizado: a adaptação variava de acordo com a experiência prévia com o sistema desktop.
  • Fluxo de trabalho: a experiência fragmentada gerava retrabalho e acúmulo de tarefas.
  • Infraestrutura: problemas de equipamentos e internet faziam com que professores utilizassem celulares próprios ou trabalhassem em casa.

Em uma das escolas, observei uma professora registrar as informações em papel para depois transferi-las ao sistema, porque considerava esse processo mais rápido do que utilizar a ferramenta diretamente.

3. Recomendações e limitações

Sistematizei as descobertas em um relatório e apresentei os resultados ao gerente do projeto e à gestão de Desenvolvimento. Também criei wireframes para representar as mudanças propostas.

As recomendações foram organizadas em:

  • 5 ajustes imediatos de layout e usabilidade;
  • 14 propostas de reestruturação, incluindo novas telas, melhorias de fluxo e mudanças em regras de negócio.

Após a entrega, não continuei no projeto. Por isso, não tenho evidências sobre a implementação das recomendações ou seus resultados posteriores.

Como aprendizado, hoje incluiria a codificação dos dados qualitativos, uma métrica como o SUS e um plano de acompanhamento para medir a implementação e o impacto das propostas.

Tela do sistema de Gestão Acadêmica exibindo o cadastro de documentação de alunos
Exemplo de tela do sistema.
Professor utilizando o sistema em um netbook em sala de aula Professor utilizando o sistema em um monitor de mesa na escola Registro em papel utilizado por uma professora antes de passar os dados ao sistema
Registros da visita de campo às escolas.
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