Pesquisa com pessoas surdas no redesign mobile-first do Hand Talk Plugin
Resumo do case
Problema
Redesenhar o Hand Talk Plugin com abordagem mobile-first, em um contexto com poucos dados sobre o uso mobile e sem um processo estruturado de testes com pessoas surdas.
Meu papel
UX Researcher Sênior e liderança técnica de Design e Pesquisa. Estruturei o processo de pesquisa, criei roteiros e termos de consentimento, treinei intérpretes e conduzi os testes.
O que fiz
Realizei um piloto com 3 pessoas surdas, identifiquei barreiras na tradução do roteiro para Libras e reorganizei o estudo com a equipe de Linguística. Após os ajustes, conduzi testes com 8 pessoas surdas e padronizei o acompanhamento comportamental pelo Google Analytics.
Impacto e decisões
- Os testes orientaram mudanças na navegação, nos ícones, nos textos e nas áreas de toque.
- Na primeira avaliação após o lançamento, o tempo de uso no mobile aumentou 67%.
- Nos meses seguintes, aproximadamente 80% dos acessos já aconteciam por dispositivos móveis.
1. Contexto e meu papel
O projeto envolvia a versão 5 do Hand Talk Plugin, lançada em 2021, com o objetivo de adotar uma abordagem mobile-first e garantir paridade de funcionalidades com a experiência desktop.
Como havia poucos dados sobre o uso mobile e nenhum processo estruturado de testes com pessoas surdas, o redesign precisava ser validado diretamente com seu público.
O projeto não contava com Product Manager. A gestão era compartilhada pelo Diretor de Tecnologia e pelo Gerente da área, enquanto eu exercia a liderança técnica de Design e Pesquisa. Estruturei o processo de pesquisa, criei os materiais necessários, treinei intérpretes e orientei designers durante a pesquisa e a prototipação.
2. Pesquisa e adaptação metodológica
Iniciei com um piloto envolvendo 3 pessoas surdas que não participavam do projeto. Todas encontraram dificuldade em pelo menos uma tarefa, e uma delas não conseguiu concluir a maioria.
A análise mostrou que não era possível separar problemas da interface de problemas de comunicação: a tradução literal do roteiro do português para Libras dificultava a compreensão das perguntas.
Pausei a execução e envolvi a equipe de Linguística na reformulação do estudo. Reestruturamos o roteiro a partir da lógica da Libras e treinamos as intérpretes para comunicar o objetivo das tarefas sem induzir respostas.
A versão ajustada foi testada com 8 pessoas surdas embaixadoras da marca, com o rodízio de duas intérpretes. Os testes avaliaram a interpretação de ícones, a localização de funcionalidades e os caminhos utilizados para realizar as tarefas.
3. Decisões e resultados
Os achados orientaram ajustes em ícones e textos. A principal decisão foi impedir que os menus de configuração e tradução aparecessem simultaneamente, pois essa estrutura confundia os participantes sobre onde encontrar cada função.
A interface também passou a seguir diretrizes nativas do Android, incluindo o tamanho mínimo das áreas de toque dos botões.
Em paralelo, padronizei o rastreamento pelo Google Analytics para acompanhar conclusão do onboarding, cliques, tráfego direcionado ao site e preferências de customização.
Na primeira avaliação após o lançamento, o tempo de uso do Plugin no mobile aumentou 67%. Nos meses seguintes, aproximadamente 80% dos acessos já vinham de dispositivos móveis.
Os resultados foram apresentados ao Diretor de Tecnologia e ao Gerente da área e posteriormente compartilhados com Vendas e Customer Success.
4. Aprendizados
- Envolver a equipe de Linguística desde a criação do primeiro roteiro.
- Utilizar protótipos de maior fidelidade para aproximar os testes do produto final.
- Registrar as falas originais dos participantes no repositório de pesquisa.