Transformando acessibilidade em requisito de produto na EVESP | Livia Gabos

Transformando acessibilidade em requisito de produto na EVESP

Resumo do case

Problema

Avaliar uma plataforma educacional e seus conteúdos para estudantes com deficiência visual, em um contexto no qual acessibilidade ainda não era considerada desde o início dos projetos.

Meu papel

Responsável pela avaliação de acessibilidade de ponta a ponta e única profissional da MStech dedicada ao tema.

O que fiz

Avaliei a plataforma e parte dos conteúdos com NVDA e Orca, seguindo a WCAG 1.0. Documentei as barreiras em checklist e relatório técnico após aproximadamente um mês de trabalho.

Impacto e decisões

  • Entreguei encaminhamentos técnicos para o backlog de Engenharia.
  • Criei um guia para docentes corrigirem problemas recorrentes nos conteúdos.
  • A gestão passou a reconhecer acessibilidade como requisito para novas entregas.

1. Contexto, desafio e papel

Em 2012, um ano após o lançamento da EVESP, avaliei a acessibilidade da plataforma e de parte dos conteúdos publicados para estudantes com deficiência visual.

A EVESP oferecia aulas online para a rede estadual de São Paulo. Na época, acessibilidade não era considerada desde o início dos projetos da empresa, e eu era a única profissional da MStech dedicada ao tema.

Como não tinha acesso à rede estadual para realizar testes com estudantes, conduzi a avaliação de forma independente, reproduzindo o uso da plataforma por pessoas que dependiam de leitores de tela.

2. Avaliação e descobertas

Utilizei um ambiente que replicava o cenário de produção, com dados fictícios baseados nos cursos reais. Avaliei o comportamento de dois leitores de tela:

  • NVDA, no Windows;
  • Orca, no Linux, sistema utilizado nos computadores dos Centros de Estudo do Estado.

A avaliação seguiu os critérios da WCAG 1.0, referência disponível naquele período, e incluiu a plataforma e parte dos objetos de aprendizagem já publicados.

Durante aproximadamente um mês, documentei as barreiras em um checklist e em um relatório técnico com exemplos das telas. Os principais problemas encontrados foram:

  • contraste insuficiente em materiais visuais;
  • tamanho de fonte inadequado;
  • ausência de descrição de imagens;
  • falta de legendas acessíveis em vídeos.

3. Entregas, influência e limitações

A partir dos resultados, produzi duas frentes de ação:

  • uma lista de correções técnicas para o backlog de Engenharia;
  • um guia prático para docentes prevenirem e corrigirem problemas de acessibilidade nos conteúdos.

Durante o período em que atuei, não recebi relatos de novas barreiras de acessibilidade. O principal resultado observado foi a mudança de entendimento da gestão, que passou a tratar acessibilidade como requisito necessário para os próximos conteúdos, e não apenas como uma obrigação legal.

Como não retornei ao projeto após a entrega, não posso confirmar a implementação completa das recomendações nem seu impacto sobre os conteúdos que já estavam publicados.

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